sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

CÂMARA ANUNCIA ATENDIMENTOS NAS FREGUESIAS


Num que pretende ser um reforço da politica de proximidade, a Câmara Municipal de Monção (presidente, vereadores e elementos dos respetivos gabinetes de apoio) inicia atendimentos nas freguesias. Dois sábados por mês, com inicio em fevereiro.

O anúncio foi hoje feito pela autarquia numa nota divulgada à comunicação social.

"A proximidade à população do concelho, avaliando no terreno as suas preocupações e necessidades, representa, desde o início do mandato, uma das principais prioridades do atual executivo municipal, liderado por António Barbosa.

Uma das primeiras medidas consistiu na descentralização das reuniões quinzenais do Executivo Municipal e da Assembleia Municipal, levando a análise e discussão dos assuntos constantes na “ordem de trabalhos” às freguesias do concelho e potenciando a participação dos seus habitantes na vida pública.

Ao mesmo tempo, deu-se início à rubrica “Roteiro de Proximidade” pelas freguesias. Esta iniciativa, onde o presidente e os vereadores se deslocavam às freguesias para se inteirarem dos constrangimentos atuais e prioridades futuras, desenvolveu-se em duas etapas.

Numa primeira fase, na companhia do presidente ou elementos da junta, realizaram-se visitas a locais intervencionados ou a investimentos considerados prioritários na freguesia, sempre em permanente contacto com a população. Numa segunda fase, a visita alargou-se às empresas e a encontros com as associações.

Apesar das vantagens decorrentes destas iniciativas descentralizadas e participativas, a Câmara Municipal de Monção pretende ir mais longe neste processo de aproximação à população, avançando, neste terceiro ano de mandato, com a rubrica “Sempre Perto de Si”.

Em que consiste?

Aos sábados, a Câmara Municipal de Monção (presidente, vereadores e elementos dos gabinetes de apoio) desloca-se às freguesias do concelho para receber, individualmente, os munícipes que pretendem resolver algum problema ou recolher informação sobre determinado assunto. Nestes contactos diretos, as situações abordadas serão analisadas e resolvidas atempadamente.

Pelas mensagens que temos recebido, muitas das situações levantadas pelos munícipes relacionam-se com iluminação pública, rede viária municipal, abastecimento de água, resíduos sólidos urbanos e informações sobre educação e ação social.

Casos de uma mudança de lâmpada num candeeiro público, pedido/reparação de contador ou fugas de água, colocação/substituição de sinalética rodoviária, recolha do lixo doméstico e esclarecimentos sobre o Programa “Monção Social” e apoios à educação (transportes escolares, fichas de atividades ….).

O objetivo da rubrica “Sempre Perto de Si” é resolver estes e outros problemas de uma forma rápida e eficaz. A iniciativa tem início no mês de fevereiro, devendo realizar-se duas vezes por mês, ao sábado. A breve prazo, serão divulgadas as primeiras freguesias a serem visitadas.

O que diz António Barbosa?

“A nossa missão enquanto políticos é desenvolver o concelho e resolver os problemas da população. A rubrica que agora iniciamos reforça a nossa proximidade aos munícipes, ouvindo as suas preocupações em atendimentos personalizados na sua freguesia.

Nas deslocações às freguesias, estarei acompanhado pelos vereadores e pelos membros dos gabinetes de apoio, o que permitirá que os assuntos abordados com os munícipes tenham uma análise profunda e uma resolução célere.

“Sempre Perto de Si” permitirá ultrapassar a dificuldade que sentimos para receber as pessoas no nosso gabinete, garantindo ainda que os munícipes não tenham que se deslocar à sede do concelho para falar com o presidente ou os vereadores”."


sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

UMA FESTA À MODA ANTIGA NOS ANHÕES



É já este fim de semana, dias 25 e 26, que decorre o“O Campo em Festa”, evento organizado pela União de Freguesias de Anhões e Luzio, com apoio da Câmara Municipal de Monção, onde pode desfrutar de comida caseira e tradicional, música portuguesa variada, e atividades ao ar livre. Em perspetiva, a passagem de um fim de semana diferente num lugar de montanha. Para usufruir com a família e amigos.
 Nestes dois dias, a organização disponibiliza uma carpa aquecida de 2000 metros quadrados com duas áreas especificas: uma para degustação do cozido à portuguesa com capacidade para mais de uma centena de mesas e outra com expositores destinados à venda de produtos locais e regionais.
 Em termos de animação, o programa reserva momentos de forte apego à tradição rural com atuações de grupos de bombos, concertinas, gaitas, rusgas e charangas portuguesas e galegas. Presença de Pedro Cachadinha, conhecido cantador ao desafio, e espaço para os amantes da música popular darem asas à sua imaginação e puxarem pelo público.
 O cozido à portuguesa será servido em travessa e prato de barro que, caso o visitante entenda, pode ser levado para casa como recordação ou ser devolvido à organização, sendo reembolsado.


 Participação ativa da população de Anhões e Luzio

 Ao evento “O Campo em Festa” está associada a iniciativa “Produzir em modo biológico”, a qual conta com a intervenção ativa e participativa da comunidade de Anhões e Luzio no sentido de valorizar uma agricultura biológica e sustentável, proporcionando, aos visitantes do evento, uma alimentação saudável e nutritiva.
 A iniciativa arrancou antes do verão quando a comunidade local juntou as mãos e começou a plantar vários campos de couve galega e batata, a produzir chouriças caseiras e a criar duas centenas de galinhas, dezenas de porcos e uma vaca barrosã em ambiente de liberdade com alimentação natural.
 Os produtos produzidos ao longo de mais de meio ano pelos habitantes locais serão confecionados e degustados na primeira edição do certame “O Campo em festa”, proporcionando aos amantes da gastronomia tradicional um Cozido à Portuguesa com genuínos sabores do campo.
 Estes resultam do envolvimento e esforço dos homens e mulheres da União de Freguesias de Anhões e Luzio que, com total dedicação, estão a contribuir para um evento sustentável e saudável com uma mensagem muito clara para as próximas gerações: a preservação e valorização dos recursos naturais é um contributo essencial para uma alimentação equilibrada e para a defesa do planeta.

 Mini agricultores – aprender a pôr as mãos na terra

 Não é benéfico que as crianças comam alimentos pulverizados com produtos químicos, nem que as suas escolhas recaiam em alimentos com substancias e ingredientes pouco recomendáveis e, em alguns casos, prejudiciais à saúde e à promoção da sustentabilidade ambiental.
 Além do acentuado envolvimento da comunidade local, “O Campo em Festa” é uma iniciativa direcionada às gerações mais novas, procurando passar-lhes uma mensagem positiva relativamente à alimentação biológica e sustentável, alertando-as para a negatividade dos produtos alimentares produzidos artificialmente.
 Desta forma, com o apoio da autarquia monçanense, foi estabelecido um cronograma de visitas dos alunos do 1º CEB do concelho aos espaços intervencionados pela população das aldeias de Anhões e Luzio. As visitas iniciaram-se no dia 29 de novembro e terminou a 20 de janeiro, envolvendo cerca de 300 crianças.
 Neste período, os mini agricultores aprenderam a pôr as mãos na terra, colhendo vários conhecimentos e práticas da vida rural: criação de uma mini horta (aprender a semear, plantar e regar); dar de comer, cuidar e apanhar animais em fuga, desenvolver afinidades com as plantas e recolher resíduos para reciclagem
 O objetivo é que as crianças tenham uma relação saudável com os alimentos que comem, ouçam os conselhos dos mais velhos e fiquem com a sensação agradável que contribuíram para colocar comida na mesa. Por exemplo, em finais da próxima semana vão ajudar as senhoras da aldeia a “encher chouriças”.

C.M.


PROGRAMA

Sábado, 25 de janeiro
10h30 Cerimónia oficial. Abertura da exposição de trabalhos “Mini Agricultores – Aprender a pôr as mãos na terra” 11h00 Grupo de Bombos “Os Toca a Bombar” 12h30 Almoço 14h00 Grupo de Bombos “Os Toca a Bombar” 15h00 Charanga Algazarra Boys 18h00 Rusga de Padroso (Arcos de Valdevez) 19h30 Jantar 20h00 Charanga “Vai de Baile” (Galiza) 21h30 Marotos da Concertina (Penafiel) 23h00 Charanga “Vai de Baile” (Galiza)

Domingo, 26 de janeiro
10h00 Abertura 10h30 Gaitas e Cantares da Portela 11h30 Eucaristia na Capela do Senhor do Bonfim 12h30 Almoço 14h00 Grupo de Concertinas “Os Magníficos” | Rusga de Loureda (Arcos de Valdevez) 15h00 Pedro Cachadinha 16h00 local livre para amantes da música popular (concertinas, bombos, gaitas, cantares ao desafio). Entrega de brinde da organização aos participantes.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Entregue Voto de Louvor a Maria Campino



Primeira militar portuguesa a chefiar uma das viaturas blindadas de rodas, da brigada de intervenção, da 5ª Força Nacional destacada na República Centro-Africana. Voto de louvor, proposto por António Barbosa, aprovado na reunião do dia 14 de outubro de 2019, em Merufe.

De passagem pela sua terra natal, onde esteve alguns dias para celebrar o Natal, a Primeiro Sargento Maria Célia Ribeiro Campino recebeu, das mãos de António Barbosa, o Voto de Louvor aprovado, por unanimidade, na reunião do Executivo Municipal de Monção, realizada no dia 14 de outubro de 2019, em Merufe.

Esta distinção, proposta por António Barbosa, enaltece o feito de Maria Campino, que esteve destacada, durante seis meses, na República Centro-Africana, integrando a 5ª Força Nacional, onde teve como missão chefiar uma das viaturas blindadas de rodas, da brigada de intervenção.

Uma missão com alto grau de risco que, pela primeira vez, o exército português confiou a um militar do sexo feminino. A uma mulher monçanense. Natural de Lara. Que escolheu a vida militar aos 20 anos após ter assistido ao juramento de bandeira de um dos seus irmãos.

Na proposta, António Barbosa refere que “este feito inédito é revelador de valentia e bravura, demonstrando um acentuado sentimento de patriotismo e um orgulho desmedido nos valores de humanismo, altruísmo e voluntarismo, os quais caraterizam a presença portuguesa em operações no estrangeiro”.

Com esta missão bem-sucedida, adianta António Barbosa, a nossa conterrânea, Maria Campino, abriu as portas a outras mulheres para seguirem o seu exemplo, transformando-se na precursora de uma tarefa apenas reservada aos militares do sexo masculino.

“Maria Campino fez história no seio do exército português. Mais mulheres virão. E todas saberão que foi Maria Campino, uma monçanense de Lara, que lhes tirou as pedras do caminho” sublinhou António Barbosa, desejando que “esta distinção lhe sirva de estímulo para a continuidade de um percurso militar feliz e duradouro".

C.M.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

VEREADOR DAS OBRAS DEIXA CÂMARA

A informação já circula há algum tempo, sem caráter oficial, mas nunca ninguém a desmentiu. Na Câmara Municipal de Monção, o vereador Duarte Amoedo (PSD), que tem a seu cargo o importante pelouro das Obras, deixa as suas funções.
Na sequência disso, o presidente António Barbosa acumulará os pelouros até agora detidos pelo vereador, uma vez que o elementos seguinte da lista, o médico-dentista Fernando Costa, ficará como vereador sem pelouro; isto é, apenas marcará presença, essencialmente, nas reuniões da autarquia, uma vez que continuará a exercer as suas funções profissionais.
Já Duarte Amoedo - cuja pai faleceu recentemente - regressará ás suas funções na liderança da empresa da família. Uma boa razão, entre outras possíveis, até porque, consta, o facto de, pela inerências duas suas funções, não acompanhar, como pretenderia, a vida da empresa, nunca o entusiasmou.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

MUNICÍPIO DE MONÇÃO APROVOU ORÇAMENTO PARA 2020

MONÇÃO APROVOU ORÇAMENTO AMIGO DAS FAMILIAS E FOCADO NO DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO

Ontem à noite, em reunião do Executivo Municipal realizada no Centro Cultural do Vale do Mouro, em Tangil, o plano e orçamento para 2020, no valor global de 26.582.132,00 €, foi aprovado por maioria, com os votos contra dos três vereadores do PS. No próximo dia 26, quinta-feira, será analisado e votado na Assembleia Municipal, cuja sessão decorre na Escola Profissional.

O montante destinado ao investimento, dividido em desenvolvimento económico, qualidade ambiental, urbanismo e rede viária nas freguesias, situa-se em 12.040.619,00 € (mais 1.661.294,00€ em relação a 2019). A visibilidade deste aumento far-se-á sentir, de forma equitativa, em todo o território concelhio.

A maioria das intervenções (75,13%) vão decorrer nas freguesias com intervenções no saneamento básico, abastecimento de água, rede viária, criação de percursos/passadiços pedestres, Emparcelamento Agrícola do Vale do Gadanha e Polo Industrial de Messegães.

Na zona urbana, vão continuar os investimentos de requalificação urbanística em curso no centro histórico, estando ainda inscritas verbas especificas para a recuperação interior do antigo edifício das termas, o futuro Museu Municipal e novos passadiços na orla ribeirinha.

Apoio à educação, formação e famílias

No apoio às famílias, referência para a gratuitidade nos transportes escolares para todos os alunos, fichas de atividades (até ao 8º ano de escolaridade), auxílios económicos diretos, bolsa de estudo ao ensino superior, visitas de estudo, transporte para desporto escolar e refeições. No global, representam uma despesa de 967.564,00 €.

Neste capitulo, destaque para a manutenção da tabela de taxas, tarifas e preços e Imposto Municipal de Imóveis na taxa mínima legal (0,30%) com dedução de 20,00 € (1 filho), 40,00 € (2 filhos) e 70,00 € (3 ou mais filhos), bem como para a a devolução aos munícipes de 60% da participação variável no IRS, transferindo a receita de 268.609,00 € para o bolso dos monçanenses.

No próximo ano, o Programa “Monção Social” volta a dispor de uma verba de 100.000,00€ para apoiar os munícipes mais desprotegidos economicamente, através de seis medidas: aquisição de medicamentos; transporte de doentes não urgentes; vacinação infantil; aquisição de bens de apoio; integração de crianças em creche; e obras de recuperação em habitações degradadas. Refira-se que, este ano, o programa apoiou 204 pessoas.

Transferências para as freguesias atingem 1.875,000,00 €.

As transferências financeiras para as juntas de freguesia conhecem um aumento de 125.000,00 €, passando de 1.750.000,00 €, em 2019, para 1.875.000,00 €, em 2020. Os montantes, distribuídos segundo os critérios de igualdade (50%), área (15%), população (25%), e conservação e limpeza (10%), serão transferidos mensalmente pelo município.

Mediante a celebração de protocolo de financiamento, onde estão descriminados os investimentos a efetuar de acordo com ambas as partes, as verbas são geridas pelas juntas. Desta forma, os eleitos locais passam a ter maior autonomia nos respetivos investimentos da sua freguesia.

O endividamento bancário mantém a curva descendente. Sem empréstimos de curto prazo, assistiu-se a uma diminuição de 7,20% nos empréstimos de médio e longo prazo, passando de 4.294.408,77 €, em 2018, para 3.985.094,77 €, no presente exercício.

C.M.



domingo, 1 de dezembro de 2019

NATAL E A ANIMAÇÃO

O programa de Natal do Município de Monção iniciou-se no último dia 29, com a abertura da iluminação natalícia, prolongando-se até 31 de dezembro, com vários momentos culturais, musicais e recreativos alusivos à quadra festiva e religiosa.

Preparada pela autarquia monçanense com colaboração do movimento associativo e dos comerciantes, a programação tem, segundo uma nota da Câmara Municipal, como objetivo fundamental celebrar o nascimento de Cristo e promover o comércio tradicional.

As principais artérias da vila de Monção vão embelezar-se com materiais alusivos à época, transmitindo uma colorida sensação de alegria e luminosidade, sendo visíveis, a cada passo, motivos natalícios onde se apelou à criatividade e imaginação. As obras que ainda decorrem podem, porém, causar alguns constrangimentos.

“Decorações de Natal”

Da programação, a autarquia faz uma referência para a Exposição ao Ar Livre de “Decorações de Natal”. Participam 40 instituições/associações/clubes do concelho que prometem apresentar decorações de fantasia e envolvidas na magia da quadra. A localização dos trabalhos abrange o centro histórico e urbanizações envolventes. podendo ser visualizadas durante todo o mês de dezembro.

Destaca-se ainda o Mercado de Natal, na Praça Deu-la-Deu, entre os dias 5 e 8, e a chegada do Pai Natal em bicicleta, em mota e de barco, nos dias 22 e 24. No dia da consoada, pelas 17h00, realiza-se também o habitual “Brinde de Natal”, da Comissão de Festas em Honra à Virgem das Dores, na Praça-Deu-la-Deu.

Entre 20 e 30 de dezembro, estão previstos miniconcertos musicais nas Varandas do Museu do Alvarinho, Casa do Loreto e Dr. Pinho, bem como nas Escadas do Postigo, junto ao Arquivo Municipal. Nesse mesmo período, a Praça Deu-la-Deu, decorada pela Plataforma de Arte e Cultura (PAC), serviço cultural do município, recebe insufláveis para crianças e a iniciativa “Sabores de Natal”.

Concertos de Natal em Monção e Tangil

Como é tradição, a Banda Musical de Monção e a Banda Musical da Casa do Povo de Tangil presenteiam os munícipes e visitantes com os habituais concertos de Natal. A primeira sobe ao palco do Cine Teatro João Verde nos dias 21 (21h30) e 22 (15h30). A segunda atua no Cento Cultural do Vale do Mouro no dia 21 (21h00).

A Prova Solidária S. Silvestre decorre no dia 28, com inicio às 19h00, unindo a Praça Deu-la-Deu, em Monção, à Praza do Concello, em Salvaterra do Minho. Quem quiser participar, apenas terá de entregar um alimento não perecível que, numa fase posterior, será distribuído pelas famílias mais carenciadas de ambos os lados da fronteira.

Nesta programação de Natal, destacam-se ainda duas exposições: entre 3 e 7, apresentação de trabalhos da APPACDM de Monção e, entre 3 e 20, mostra de pintura e presépios de Maria Albertina Santos. Ambas as exposições decorrem na Casa Museu de Monção/UM, no seguinte horário: terça a sexta, das 9h30 às 17h30, e sábados, das 14h00 às 19h00.

C.M.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

IMPRENSA E MODELOS DE NEGÓCIO

A comunicação social é um dos setores cuja atividade mais se diferencia das restantes. Os meios para conseguir manter a sua finalidade são instrumentos fundamentais para a sustentabilidade de um regime democrático, o debate e o confronto informado de ideias e para o próprio questionamento do poder, nos seus pesos e contrapesos.
Nunca como hoje circulou tanta informação. Todavia, isso não significa que estamos perante uma sociedade melhor informada. O volume de informação manipulada, as fake news e a falta de escrúpulos de quem não se preocupa ou ignora o rigor e critérios jornalísticos também aumentou proporcionalmente. O mundo digital permite que cada um e com diferentes objetivos apresenta mentiras, meias verdades e outras deturpações.
Existem, para juntar a isso, exércitos de trolls nas redes sociais a servir nebulosos interesses políticos e económicos onde quem ousa expressar pensamento de forma diferente se sujeita a ser devorado pelos servidores, conscientes ou inconscientes, dos autores dos posts.
Neste domínio das redes sociais, também não é pacífico o modo como, para uns, os órgãos se comunicação social se deixaram capturar pelas mesmas, usando estas para veicular conteúdos; para outros, não passa, no entanto, do velho axioma de "quando não podes com o inimigo, junta-te a ele". No meio disto tudo, quase nos esquecemos que, até ao presente e apesar de todos os constrangimentos, ainda não existe nada mais eficaz para combater a mentira e a manipulação, que o jornalismo.

A questão essencial que queremos aqui aflorar  é, todavia, sobre a crise que a comunicação social e que verificamos, nos damos conta no dia a dia, lemos ou ouvimos.
Desde logo, com o digital surgiu a ideia de que não se tinha de pagar pelo trabalho jornalístico. Passaria, pois, a ser o único trabalho pelo qual não se teria de pagar para dele beneficiar.
As próprias empresas de comunicação social criaram essa ideia, que o decorrer dos anos revelou já estar totalmente errada, na convicção de que a publicidade compensaria a disponibilização gratuita do trabalho. Hoje isso é apresentado, pelos estudiosos deste fenómeno, como o PECADO ORIGINAL.
Identificado este, lentamente, mas cada vez mais, as empresas de comunicação social começam a limitar o acesso gratuito aos seus conteúdos. Todavia (e salvo raríssimos exceções que confirmam a regra), com as finanças depauperadas, os meios de comunicação social, apesar dos melhores meios a nível de ferramentas tecnológicas, têm maior dificuldade em meios humanos e materiais para investigar os assuntos e questionar os tais poderes, político e económico, de quem passaran a depender para, apenas, sobreviver. O papel de contrapoder dos media, de confrontar e dirigir-se ao poder, está diminuído e vemos muita gente que, em vez de ter vergonha pelo papel que fazem, se orgulham de por os pés (ou patas) no quarto do poder.


No meio disto tudo, ainda não se vê a luz ao fundo do túnel quanto ao modelo de negócio viável para este setor. Há quem advogue o sistema francês do Estado subsidiar a comunicação social (à semelhança dos apoios às artes, como o teatro ou o cinema), quem defenda um cheque-cultura para os estudantes puderem, por exemplo, assinar um meio de comunicação social à sua escolha, quem advogue benefícios fiscais para os consumidores de informação, quem seja contra qualquer tipo de apoios e dependências estatais, antes uma aposta na formação e na literacia jornalística (grande parte da população “come” como informação jornalística o que afinal não o é).
Outra fonte de rendimento para os media - e aqui já parece existir mais consenso - poderá passar pela obrigatoriedade dos "gigantes do ciberespaço" -  e que também distribuem conteúdos desta - disponibilizarem alguma parte dos lucros que acabam por auferir por via destes e não, quando sucede, umas míseras migalhas que "nem dá para mandar cantar um cego".
Não há, pois, unanimidade e o debate é grande sem se chegar, ainda, a uma conclusão. O panorama nos media não é animador, não apenas na imprensa escrita; até as Tv’s não conseguem conquistar público junto das novas gerações!
No meio deste emaranhado está a ganhar adeptos o jornalismo narrativo (ou literário, como também lhe chamam, defendido por Mark Kramer, jornalista e académico em Harvard)) como forma de responder à crise. Um jornalismo criativo não ficcional, uma espécie de narrativa factual em que o jornalista abandona o habitual tom impessoal, em voz passiva, com que noticia os acontecimentos.

Há um assunto que também se fala, mas que já é recorrente; a falta de alguma ética e cultura geral em algumas pessoas que estão no meio. Algo que, diga-se em abono da verdade, não existe só na comunicação social. Serr jornalista é, mais do que tudo, uma vocação para a qual tem de existir, além de uma resiliência (a nível psicológico) para ser exercida com rigor e independência face às pressões a que se está sujeito, um naipe de saberes que lhe permitam "acumular" (perdoem-me a expressão)  conhecimento. Não é por acaso que as empresas, quando efetuam as entrevistas de recrutamento a jornalistas, têm como principal prioridade (mais do que o curriculum escolar) aperceber-se do grau de cultura geral do mesmo. De modo a que o profissional da área se sinta habilitado a mediar devidamente a informação entre o emissor e o recetor, não se limitando a ser um mero "cabo de microfone", mas capaz de estabelecer hierarquias e questionamentos na mesma.
Por exemplo, os conhecimentos em História (recente ou longínqua) são apontados como fundamentais. Só conhecendo o passado estamos em melhores condições de saber interpretar o presente e antever o futuro.
Seja como for, não se trata de um problema só de agora e o tempo tem-se encarregado, aliás, de fazer a seleção natural, com muitos a terem de enveredar por outras áreas profissionais.
A terminar, ainda mais uma referência para os conteúdos em suporte de papel. Neste âmbito, a exceção parecem ser os livros que, segundo vários indicadores, têm conseguido resistir a esta erosão. Os e-books ainda não conseguiram tornarem-se tão populares como os jornais e as revistas digitais.

Manuel Sotomaior

PS - Uma conferência sobre a sustentabilidade financeira da comunicação social vai decorrer a 2 e 3 de dezembro na "Cidadela", em Cascais. A iniciativa é organizada pelo Sindicato dos Jornalistas e tem o patrocínio do Presidente da República. O desiderato «não é fazer um diagnóstico, mas sim apontar caminhos e soluções».